sábado, 8 de agosto de 2020

TENTAÇÃO DO CRISTO NO DESERTO EM VÁRIOS BLOGS

 http://www.mundoespirita.com.br/?materia=as-tentacoes-de-cristo-em-nos

As tentações de Cristo em nós

fevereiro/2020 

Evangelho de Mateus1, encontramos descrita a experiência de Jesus no deserto, durante 40 dias e 40 noites, logo após ser batizado por João Baptista e antes de iniciar sua missão, em Cafarnaum.

O Evangelho relata que Jesus, após ser batizado no Jordão, foi visitado pelo Espírito de Deus que O levou ao deserto para ser tentado pelo diabo em três situações (ou provocações):

  • Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.2
  • Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.3
  • Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.4

Parece que a figura de Satanás, em suas investidas para dominar a Jesus, sempre o tentou com as coisas do mundo, aquelas desejadas por quem prioriza os valores materiais. Para isso, instigou o Mestre de Nazaré a saciar a própria fome, que pode ser entendida no sentido simbólico como cobiça, ganância e ambição; provocou Jesus em Sua espiritualidade, testando a forma como vivenciava a conexão com o Divino e praticava a fé e, por fim, ofereceu-lhe, caso se lhe submetesse, uma posição de poder, que costuma carregar consigo grandes riquezas e prestígios.

Essa passagem da vida do Cristo pode nos servir de roteiro para a autoiluminação. Como primeiro passo nessa busca, podemos pensar a respeito da necessidade do recolhimento. Assim como Jesus foi levado pelo Espírito de Deus ao deserto, ausentando-se da convivência social, a fim de enfrentar as sombras e se preparar para a missão que viria a desempenhar, também nós, que buscamos o autoconhecimento, devemos entender que o silêncio interior (nosso deserto) é fundamental para o autoencontro.

Joanna de Ângelis nos explica que:

Na atualidade, a busca desse deserto não conduz o indivíduo às regiões geográficas áridas e distantes da civilização, mas às paisagens interiores que aguardam ser conhecidas pela reflexão profunda, penetradas pela busca do silêncio iluminativo.5

É no deserto interior, longe das distrações e perturbações comuns à vida prática, que temos maior possibilidade de ouvir a nós mesmos e de nos conhecermos mais profundamente. No silêncio desse deserto somos capazes de enxergar quais demônios nos atormentam e nos distanciam de nossas tarefas espirituais.

A respeito das tentações sofridas por Jesus – ambição, falta de fé e poder –, podemos estabelecer um paralelo com nossas próprias vivências, utilizando esses símbolos como sinais de alerta e de atenção, a fim de nos mantermos fiéis aos nossos valores essenciais:

  1. Jesus foi provocado a desistir de seu propósito de jejuar e a satisfazer sua fome.

É muito comum nos comprometermos conosco mesmos em estabelecermos, pela disciplina, novos rumos em nossas vidas, abstendo-nos de certas ambições, as quais entendemos prejudiciais ao nosso futuro e então sermos visitados por convites fáceis, que nos arrastam de volta aos hábitos nocivos, tanto os relativos à vida material, quanto às condutas morais.

  1. Jesus foi desafiado a se lançar do alto do templo para ser salvo por anjos.

Em nossas vivências religiosas costumamos nos deparar com circunstâncias ou encontrar pessoas que desejam testar nossa fé, gerando situações ou discussões de forma propositada, a fim de nos constrangerem de alguma forma. Parecem incomodadas com nossas crenças e buscam formas de demonstrarem a inutilidade de nossas escolhas, pedindo provas ou apelando para argumentos sofistas, sempre em tentativas de nos despertarem dúvidas ou descrença.

III. Jesus foi pressionado a se submeter a Satanás em troca de se tornar poderoso.

Jung6 afirmava que onde existe amor não predomina o poder do indivíduo e onde existe o poder do indivíduo não reina o amor (§ 453). Esse pensamento parece corroborar o ponto de vista de Satanás que tentava afastar Jesus de Sua missão de amor, fascinando-O com o brilho do poder. A psicologia profunda também nos alerta para o alinhamento que deve existir no eixo ego-Self, porque caso o primeiro predomine, podemos nos encantar com as coisas do mundo, distanciando-nos dos propósitos espirituais.

Ao conseguirmos vivenciar a experiência do deserto deixada por Jesus como referência de preparação para os enfrentamentos da vida, certamente despertamos a força interior necessária para seguirmos nossa jornada com maior probabilidade de êxito.

Mas aproveitar as experiências deixadas por Jesus como referências para o nosso próprio caminho de crescimento espiritual não é tarefa fácil e costuma ser interpretada, muitas vezes, de forma distorcida. É comum ouvirmos expressões como imitar o Cristo ou fazer como o Cristo, mas nem sempre a aplicação dessa recomendação é feita de forma a gerar real transformação.

Podemos, por exemplo, imitar o Cristo como se estivéssemos num teatro vestindo um personagem que faz como deveria, sem, no entanto, ser como deveria, ou seja, desempenha um papel ensaiado, mas não se transforma internamente no ser que interpreta. Não deveríamos ser atrizes ou atores de Jesus, mas seguidores dEle, que enfrentam realmente seus desertos e suas tentações, de modo a progredir e se cristificar, no sentido de se tornar uno com o Cristo, como o Apóstolo Paulo7Já não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim.

Conta a história que antes de São Cristóvão se tornar santo, ele se chamava Réprobo, era enorme em estatura e bastante feio. Ele havia decidido que buscaria encontrar o maior príncipe existente, a quem gostaria de se dedicar. Depois de se frustrar servindo ao denominado maior rei de todos da época, por notar que esse grande soberano temia o diabo, Réprobo decidiu reiniciar sua busca e tomou conhecimento da existência de Jesus, partindo em Sua procura. No caminho, ao passar por um rio, encontrou uma criança que lhe pediu ajuda. Aquele homem gigantesco, então, colocou a criança nos ombros para fazer a travessia e teve uma grande surpresa: à primeira vista essa não deveria ser uma tarefa difícil porque a criança parecia pequena e leve, mas ao iniciar o cruzamento para o outro lado do rio, deu-se conta do quanto pesado era aquele menino. Descobriu, então, tratar-se de Jesus. Depois desse encontro, Réprobo passou a se chamar Cristóvão, o condutor do Cristo.

Assim também nos comportamos quando buscamos o Mestre de Nazaré. No início O observamos como se fosse uma criança no sentido de ser fácil de ser compreendida, para depois percebermos o quanto pode se tornar complexa a tarefa de levarmos o Cristo conosco em nossas travessias.

Ao utilizarmos as tentações de Jesus como guia para o autoconhecimento, então, temos a oportunidade de sermos mais crísticos e de desenvolvermos:

  • Disciplina para vencermos as ambições do ego, praticando os jejuns que nos fortalecem em nossos propósitos;
  •  para seguirmos nossos caminhos confiantes da presença divina em nosso favor, protegendo-nos, orientando-nos e garantindo-nos o progresso em direção à perfeição e à felicidade;
  • Amor que nos lembra que somos todos irmãos e ocupamos os mesmos lugares nos planos divinos, protegendo-nos, então, das fantasias do ego, que costuma se iludir com o poder.

Assim sendo, é sempre importante a mente vigilante e o Espírito direcionado ao propósito da reencarnação, que é a transformação íntima, o progresso moral e a atenção às tentações que podem nos iludir com os tesouros materiais e nos desviar de nossa tarefa na Terra.

Momentos de deserto, de oração, de imersão em si mesmo, buscando identificar as próprias sombras conflitivas, bem como as más influências externas, é recurso essencial para uma vida mais segura e protegida por Deus.

*   *   *

Os Espíritos maus, egoístas e duros, logo após a morte, são entregues a uma dúvida cruel sobre o seu destino presente e futuro. Olham em torno de si e, a princípio, não veem nenhum assunto sobre o qual possam exercer a sua influência má e o desespero se apodera deles, porque o isolamento e a inação são intoleráveis para os maus Espíritos. Não levantam o olhar para os lugares habitados pelos puros Espíritos. Consideram o que os cerca, e em breve, tocados pelo abatimento dos Espíritos fracos e punidos, lançam-se a eles como a uma presa, armando-se com a lembrança de suas faltas passadas, frequentemente reveladas por seus gestos irrisórios. Não lhes bastando esta zombaria, caem sobre a Terra como abutres esfaimados e procuram entre os homens a alma que dará mais fácil acesso às suas tentações. Dela se apoderam, exaltam-lhe a cobiça, procuram extinguir a fé em Deus e quando, enfim, donos de sua consciência, veem a presa dominada, estendem sobre tudo o que se aproxima de sua vítima o contágio fatal.8

*   *   *

A prece torna melhor o homem?

Sim, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia Espíritos bons para assisti-lo. É este um auxílio que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.9

 

Referências:

1.. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 4, vers. 1 a 11.

  1. Op. cit. ______. cap. 4, vers. 3.
  2. Op. cit. ______. cap. 4, vers. 6.
  3. Op. cit. ______. cap. 4, vers. 8 e 9.
  4. FRANCO, Divaldo Pereira. Ilumina-te. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Catanduva: InterVidas, 2013. cap. 1.
  5. JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013.
  6. BÍBLIA, N. T. Gálatas. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 2, vers. 20.
  7. KARDEC, Allan. Revista Espírita – Periódico de Estudos Psicológicos. São Paulo: EDICEL, 1985. ano III, v. 10, Dissertações Espíritas: O castigo.
  8. ______. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2002. pt. 3, cap. 2, q. 660.

 

http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/33

 





A “Tentação” de Jesus

1 Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; 3 E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. 4 Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Deut. 8:3). 5 Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra (Salmos 90:11s). 7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Deut. 6:16). 8 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Deut.6:13). 11 Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.

Mateus 4:1 a 11

Esclarecimentos iniciais

O estudo das letras sagradas não pode ser feito através de uma simples leitura que nos leve a seu entendimento literal. Para sua correta interpretação, mister que se busque a essência da mensagem do verbo divino, contida no simbolismo de seus versículos.

Nas culturas orientais, demônios seriam todas as criaturas tidas como místicas ou espirituais. Mas não necessariamente de natureza maligna, como nos casos das fadas, gnomos, etc.

Um demônio, ou ainda, daimon ou daemon tipicamente é descrito como um espírito do Mal, embora originalmente, para os gregos, pudesse também ser um ser benigno.

Satanás ou Satã (do hebraico adversário/acusador) é um termo originário da tradição judaico e geralmente aplicado à encarnação do Mal em religiões ditas monoteístas.

Demônios, satanás, diabos não existem. Deus, ao criá-los, estaria derrogando suas leis e contradizendo-se, uma vez que Lhe são atribuídos os fatores divinizadores sendo um deles a BONDADE. Deus não criaria seres para perturbar a vida dos homens.

Assim, ao refletirmos sobre esta narrativa de Mateus, encontramos pontos que fogem do nosso raciocínio e naturalmente questionamos:

Como Jesus, sendo um espírito de nível tão superior, pudesse vir a ser assediado por Satanás, alguém que, segundo se coloca, possui atributos que pessoas dão tanto valor e acham que ele é a suprema força do mal?

Há que se observar alguns pontos importantes:

1)    Jesus não foi tentado; Ele foi provado, porque o termo original, em hebraico, fala de provação e não em tentação.

2)    Satanás, pela situação como ele é colocado, é desprovido de qualquer coisa. Ele não tem nada.

3)    Jesus, sim; é o herdeiro legítimo de Deus. Senhor de todos os reinos do mundo. Devemos lembrar que quarenta dias antes, em seu batismo por João Batista (Mateus 3:13 a 17), uma voz dos céus dissera: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

4)    Existe aí uma situação, no mínimo, muito estranha. Uma incoerência mesmo. Como é que satanás ia oferecer esses reinos que já eram de Jesus, para que fosse por Ele adorado?

A questão aqui não era tanto a de Jesus tornar-se um rei. Deus já Lhe tinha prometido isso (Salmo 2:7 a 9; Gênesis 49:10), mas de como e quando. O Senhor prometeu o reinado ao Filho depois de seu sofrimento (Hebreus 2:9).

2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Jesus, na realidade, estava refletindo sobre a missão que iria abraçar. Após longo período de reflexões Ele teve fome do saber. Há aqui, uma questão básica: Como Jesus usará suas aptidões para cumprir a sua missão junto aos seus tutelados? (Mateus 5:17).

As reflexões do Mestre

Primeira reflexão: “3 Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”.

O objetivo de sua primeira reflexão foi a respeito de sua lealdade a Deus.

Os pães e as pedras alegoricamente simbolizam, respectivamente, as nossas necessidades materiais, tão importantes à nossa sobrevivência, e as nossas dificuldades em consegui-las.

Com o advento do Consolador Prometido (João, 14:15 a 17 e 26), foi-nos possível entender que essas dificuldades são decorrentes de nossa estrutura moral que construímos em nossas vidas passadas. Portanto, representam as vicissitudes pelas quais temos que passar num processo de resgate de nossos compromissos pretéritos a caminho de nossa ascensão espiritual.

Se Ele quisesse, poderia sim, transformar as pedras (nossas dificuldades) em pães (necessidades materiais); mas, aí Ele reflete sobre a racionalidade de nossa existência: “4 Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Deut. 8:3)”. Jesus, aqui, diz que confia em cada palavra de Deus.

A nossa “salvação” será pela justificação, ou seja, pelo uso correto de nosso livrearbítrio. Se assim não for, seremos transformados em seres sem vontade própria. Seremos robôs.

O homem vive do alimento material (pão), mas, também, do alimento espiritual: a palavra de Deus. E continua refletindo: “Se Eu fizer isto estarei indo contra a lei da natureza. Estarei indo contra a Lei de Causa e Efeito”.

Na qualidade de guia e modelo (Livro dos Espíritos, questão 621), a sua missão consiste em nos passar, através do exemplo, o caminho a ser percorrido na busca da perfeição para a qual fomos criados: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15:24)”.

Segunda reflexão6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.

O objetivo da segunda reflexão diz respeito da confiança. De sua fé em Deus: Você confia em Deus, não confia? Vamos ver quanto você confia nEle. Você confia nEle o bastante para atirar-se deste pináculo?

7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Jesus reflete que não precisa fazer aquilo para provar absolutamente nada e nem para ter certeza de que Ele era quem era.

A confiança alicerça-se na fé. Ter fé é acreditar. É ter firmeza na execução daquilo que se propõe fazer. A fé nos leva a vencer dificuldades enormes (Mateus 17:19 a 21).

Com a firmeza da fé podemos realizar além da nossa imaginação (João 10:34 e 14:12).

Terceira reflexão8 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. 9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

O objetivo da terceira reflexão foi o mais crucial, pois foi um teste da missão de Jesus ou, mais precisamente, um teste da determinação de Jesus de concluir Sua missão independentemente do custo.

Fala do poder transitório. Tentem imaginar a glória de todos os reinos do mundo, todos os impérios do presente e do passado: o grande império romano, o grego, o persa, o babilônico, o assírio, o egípcio, o reino de Davi e Salomão - sem mencionar reinos como Bitínia e Síria, mais todos os reinos em territórios inexplorados! Tudo isto reluzindo diante dos olhos de Jesus.

O que adiantava possuir todos os reinos do mundo se sua missão era espiritual?

O que Jesus teve no deserto, foi um momento de reflexão. Era o momento de tomar uma decisão. Ou Ele ficaria com os reinos do mundo e seria realmente um grande reino, porém, este não era seu objetivo, tanto é que Ele, mais tarde, declara: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Em outra oportunidade, na hora que em Lhe perguntaram se era justo pagar o imposto do imperador, Ele reafirma a separação do que é material do que é espiritual: “Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).

10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Deut.6:13). Oh! pensamento inferior, vai-te, afasta-te de mim, porque está escrito: Ninguém pode servir a Deus e a Mamom, que era o deus material dos Fenícios.

A partir destas reflexões Jesus sabe que chegou o momento de assumir o seu Reino Espiritual, então Ele sobe para a Galiléia e inicia o seu ministério.

A grande lição que esta passagem nos deixa, é que na luta do cristão pela reforma íntima, o principal campo de batalha é a provação, motivada pelas nossas tendências instintivas construídas nas experiências pretéritas.

Jesus, seja sempre conosco.

Marcos José Ferreira da Cruz Machado
Belo Horizonte (MG)
MAR/2009












As tentações de Jesus e as nossas

 

Poder/orgulho X Humildade
Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao
Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mateus, 4:10).

Irresponsabilidade X Proteção de
Deus
Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus
(Mateus, 4:7).

Entrai pela porta estreita, porque
larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e
muitos são os que por ela entram. – Quão pequena é a porta da vida!
quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram!
(MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14)

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma
lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Objetivo

Esta palestra tem como objetivo mostrar ao público que as tentações de Jesus,
mostradas no Evangelho segundo Lucas, capítulo 04, nada mais são do que a
simbologia das tentações pelas quais todos passamos na vida.
Isso porque, mesmo Jesus sendo o Espírito mais perfeito que já houve entre nós,
incumbido de organizar a evolução espiritual da Terra, também ele sofreu a
influência da matéria, quando aqui encarnado pela última vez. Porém, como
Espírito perfeito que é, Jesus não sucumbiu perante os prazeres efêmeros, e
venceu as tentações próprias de um mundo atrasado espiritualmente.
Nesta palestra, o ouvinte deve ser levado a refletir sobre sua conduta perante
as tentações em sua vida, que o levam a valorizar mais a matéria do que o
espírito.
Leia, então, a passagem citada, e depois, explique cada tentação ao público,
fazendo uma correlação com a vida atual.

Matéria X Espírito

Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem
só de pão viverá o homem.

O Demônio, que simboliza aqui a ignorância do mundo, tenta fazer com que
Jesus esqueça suas obrigações espirituais para preocupar-se com sua vida
material. Ou seja, deixar o espírito sempre em segundo plano.
Mostre ao público que geralmente fazemos isso em nossa vida. Nossa preocupação
primordial é sempre cuidar dos interesses do corpo, ou seja: comer, beber, fazer
sexo e descansar
Deixamos de lado, então, o aculturamento, o aprendizado, o estudo, o
desenvolvimento da inteligência e da moral. Precisamos, na maioria das vezes,
sermos forçados a estudar, a aprender, a irmos a uma casa religiosa. E mesmo
assim, contamos os minutos para que tudo logo acabe, e sobre tempo para as
coisas imediatistas.
Com isso, desperdiçamos nosso tempo, e nossa existência passa a ser em torno dos
interesses materiais.
Porém, como a matéria é inconstante, nossa vida também também assim será. E o
equilíbrio fica difícil de alcançar.
Diga o quanto poderíamos ter de paz e tranquilidade se tivéssemos como objetivo
principal o espírito, pois estaríamos com a compreensão da vida. E que por mais
que as coisas materiais ficassem difíceis, teríamos a paciência e a fé
necessárias para entender o problema e buscar a solução.
Assim, nem só de pão, da matéria, deve viver o homem, mas principalmente da
busca de seu desenvolvimento espiritual.

Poder/orgulho X Humildade

Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque
está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

Servir aos interesses de Deus não é ficar orando o dia todo, nem tornar-se
santo ou fanático religioso. Servir a Deus é não ser orgulhoso a ponto de se
achar o centro do universo, querendo que tudo seja para nós, da forma como
queremos. A figura dos reinos oferecidos a Jesus retrata bem o que sempre
queremos: levar vantagem em tudo; ser mais que o próximo, custe o que custar.
Adorar a Deus, portanto, significa fazer e querer para quem está ao nosso lado,
o que queremos para nós mesmos. Servir ao Diabo nada mais é do que esquecer que
vivemos em sociedade, e prejudicar, com atos ou palavras, quem convive conosco.
O desejo do poder é intrínseco no homem, pois o poder desperta o orgulho, o pai
de todos os problemas humanos. Ter poder não é errado. Errado é fazer dele um
meio de oprimir quem está abaixo de nós.
E o poder não é só material, mas pode ser moral. Como quando um marido oprime
sua esposa devido ao poder financeiro; ou quando os pais oprimem seus filhos,
esquecendo-se do diálogo; ou mesmo quando desdenhamos dos mais ignorantes,
julgando-nos superiores, devido às oportunidades de aprendizado que tivemos.
Independente da situação, o poder deve ser exercido com humildade e sensatez, e
isso só se consegue se o interesse do espírito estiver acima do interesse da
matéria.

Irresponsabilidade X Proteção de Deus

Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o
Senhor teu Deus.

Muitos de nós acreditamos que por estarmos vindo a uma casa religiosa,
estamos abrindo com Deus uma barganha. Que a partir de então, Ele tem a
obrigação de nos proteger de todos os males da vida.
Ledo engano! Deus não tem obrigação nenhuma para conosco, pois irmos a uma casa
religiosa não fará bem a Deus, pois Ele é o criador, o Pai. Fará, sim, bem para
nós mesmos.
Mas, por ignorância, cremos nessa proteção sem limites. Então, escutamos o
palestrante, o padre, o pastor falarem, mas em nada modificamos nossos hábitos.
Damos comida aos necessitados, visitamos asilos e orfanatos, mas continuamos um
tirano doméstico, ou um mal trabalhador, ou um patrão avarento.
Então, as dificuldades vêm em nossa existência, pois elas são sempre frutos de
como agimos perante a vida.
E Deus não fará nada, porque Ele não conta com nossa colaboração.
Tentar a Deus significa isso: ver se Ele nos ajudará, mesmo que não tenhamos nos
esforçado para obter essa ajuda. E esforço aqui não é esforço material, de
aparências. Mas sim, esforço espiritual, de atitudes, de ação, de mudança
interior.
Devemos ser responsáveis por nossos atos. E se agirmos insensatamente, mesmo que
frequentemos uma casa religiosa, sofreremos as consequências.
Porém, se agirmos com boa vontade, procurando no dia de hoje sermos melhores do
que fomos no dia anterior, com certeza Deus fará de sua parte, inspirando-nos o
melhor caminho e dando-nos forças para vencer nossos obstáculos.

Entrai pela porta estreita, porque larga é a
porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por
ela entram. – Quão pequena é a porta da vida! quão apertado o caminho que a ela
conduz! e quão poucos a encontram! (MATEUS, cap. VII, vv. 13 e 14)

Encerre a palestra mostrando a passagem acima, pois ela nos fala o quanto é
difícil seguir pela porta estreita, que é aquela onde damos mais valor ao
espírito do que à matéria. Porém, destaque que ela é muito recompensadora, em
todos os sentidos.
Pois se procuramos nos equilibrar moral e espiritualmente, também nossa vida
material será melhor, pois receberemos em nós mesmos o bem que procurarmos
distribuir e o aprendizado que buscarmos receber.
Então, o verdadeiro Reino de Deus estará dentro de nós. Já que ele nada mais é
do que a paz de espírito, a tranquilidade que tanto buscamos em nossa
existência.

Copyright by Grupo Espírita Apóstolo Paulo
Last revised: 02/06/2001



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A Gênese » Os milagres segundo o Espiritismo » Capítulo XV - Os milagres do Evangelho » Tentação de Jesus

52. Jesus, transportado pelo diabo ao pináculo do Templo, depois ao cume de uma montanha e por ele tentado, constitui uma daquelas parábolas que lhe eram familiares e que a credulidade pública transformou em fatos materiais.[1]

53. “Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, embora muito curto fosse este, às sugestões do demônio e que, como o diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram dados. O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e o seu poder: “Adora-me, que te darei todos os reinos da Terra?” Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele não ignorava que seria repelido por aquele que viera destruir-lhe o império sobre os homens.

“Compreendei, portanto, o sentido dessa parábola, que outra coisa aí não tendes, do mesmo modo que nos casos do Filho Pródigo e do Bom Samaritano. Aquela mostra os perigos que correm os homens, se não resistem à voz íntima que lhes clama sem cessar: ‘Podes ser mais do que és; podes possuir mais do que possuis; podes engrandecer-te, adquirir muito; cede à voz da ambição e todos os teus desejos serão satisfeitos.’ Ela vos mostra o perigo e o meio de o evitardes, dizendo às más inspirações: Retira-te, Satanás ou, por outras palavras: Vai-te, tentação!

“As duas outras parábolas que lembrei mostram o que ainda pode esperar aquele que, por muito fraco para expulsar o demônio, lhe sucumbiu às tentações. Mostram a misericórdia do pai de família, pousando a mão sobre a fronte do filho arrependido e concedendo-lhe, com amor, o perdão implorado. Mostram o culpado, o cismático, o homem repelido por seus irmãos, valendo mais, aos olhos do Juiz Supremo, do que os que o desprezam, por praticar ele as virtudes que a lei de amor ensina.

“Pesai bem os ensinamentos que os Evangelhos contêm; sabei distinguir o que ali está em sentido próprio, ou em sentido figurado, e os erros que vos hão cegado durante tanto tempo se apagarão pouco a pouco, cedendo lugar à brilhante luz da Verdade.” — João Evangelista, Bordeaux, 1862.



[1] A explicação que se segue é reprodução textual do ensino que a esse respeito deu um Espírito.

 

http://www.forumespirita.net/fe/o-livro-dos-espiritos/a-tentacao-no-deserto/#.Xy6uTyhKhPY


Observando a tradição, logo após seu encontro com João, o Batista, ás margens do rio Jordão, Jesus internou-se no deserto. Ali teria permanecido por quarenta dias segundo o evangelista Lucas (capítulo IV).
 
Enfraquecido e faminto, foi visitado pelo demônio, que o transportou a Jerusalém e colocando-o no pináculo, o ponto mais alto doTemplo, disse-lhe:
 
   Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito que ele ordenou a seus anjos tenham cuidado contigo e te sustentem nas mãos para não tropeçares em alguma pedra.
 
Jesus replicou:
   Está escrito: “Não tentarás o Senhor teu Deus.”
 
   Se és filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
 
Jesus lhe respondeu:
   Também está escrito: “Não só de pão viverá o homem.”
 
O diabo o transportou, ainda, a um monte muito alto, donde lhe mostrou todos os reinos do mundo com sua glória e lhe disse:
 
   Dar-te-ei tudo isso se, prosternando-te, me adorares.
 
Ordenou-lhe Jesus:
   Afasta-te, Satanás, pois está escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás.”
 
  A narrativa termina com a informação de que o demônio retirou-se e vieram os anjos para servir a Jesus.

Temos aqui curiosa passagem evangélica. Um interessante diálogo entre Jesus e o diabo. As respostas do Mestre são inteligentes citações do Velho Testamento, contrapondo-se às propostas do demo.Não obstante, recende a fantasia. Certamente não aconteceu como está registrado. Talvez nem mesmo tenha acontecido. É fácil chegar a essa conclusão.
 
  Comecemos pela figura do demônio:
 
Como personificação do mal, que se contrapõe aos programas de Deus, é uma invenção dos teólogos medievais. Segundo eles, os demônios seriam anjos que pecaram antes da criação de Adão. Por castigo foram marginalizados. Revoltados, instalados no Inferno, região de tormentos inextinguíveis (os antigos o situavam no centro da Terra), empenham-se em torturar as almas dos que se deixam seduzir  por suas sugestões malignas.   

Embora as afirmativas freqüentes de figuras representativas da ortodoxia religiosa, confirmando sua existência, muitos fiéis, principalmente aqueles que cultivam o saudável hábito de usar a inteligência, não acreditam no diabo.
 
Para os teólogos isso seria trama do próprio tinhoso. Convencendo os homens de sua inexistência, seria mais fácil envolvê-los em suas maquinações sinistras. Mas eles próprios são responsáveis pela descrença, porquanto alimentam fantasias que poderiam atender às necessidades do passado mas não satisfazem à racionalidade do presente.
 
  Na Idade Média chegou-se a elaboração de catálogos de classificação dos demônios, com desenhos grotescos em que ele se apresenta com chifres, rabo e cascos de bode. Para a mentalidade atual tais idéias são ridículas, infantis e somente os crentes mais ingênuos ainda as admitem. Revela a Doutrina Espírita que existem Espíritos profundamente comprometidos com o vício e o crime,  enfermos morais que, por estranho desvio, inspirado na rebeldia sistemática, se comprazem em perseguir e prejudicar os homens.
 
Longe estão, entretanto, de representar um poder constituído, imutável, capaz de ameaçar a ordem universal. Como todos os filhos de Deus, eles também estão sob a tutela das leis divinas, cujas sanções promoverão, inexoravelmente, o despertar de suas consciências, impondo-lhes a própria renovação.
 
Por extensão, qualquer pessoa que se comprometa com o mal, prejudicando o próximo com a mentira, a prepotência, a agressividade ou a indução aos vícios e às paixões, estará agindo diabolicamente. Mas a destinação de todos nós, Espíritos encarnados e desencarnados, bons e maus, viciados e virtuosos, é a angelitude. Longo e penoso caminho espera aqueles que tentam negar sua condição de filhos de Deus. Enfrentarão milenárias lutas e acerbos sofrimentos, em expiações redentoras. Mais cedo ou mais tarde terão de trilhá-lo, porque esta é a vontade do Criador, que jamais falha em seus objetivos.

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